02.09
Mulher carrega balde de água em Porto Príncipe: os próprios esforços para combater o aquecimento global vão necessitar mais água, devido às exigências econômicas rivais – como para irrigação, biocombustíveis ou energia hidrelétrica.
O principal impacto das mudanças climáticas será sentido no suprimento de água e o mundo precisa aprender com cooperações passadas, como nos rios Indo ou Mekong, para evitar conflitos futuros, disseram especialistas.
Desertificação, enchentes, derretimento de geleiras, ondas de calor, ciclones e doenças transmitidas pela água, como o cólera, estão entre os impactos do aquecimento global inevitavelmente ligados à água. E a disputa pela água também pode provocar conflitos.
“As principais manifestações ligadas à alta das temperaturas dizem respeito à água”, disse Zafar Adeel, presidente da ONU-Água, que coordena os trabalhos relacionados à água entre 26 agências das Nações Unidas.
“A água exerce um impacto em todas as partes de nossa vida como sociedade, sobre os sistemas naturais e os habitats”, disse ele em entrevista telefônica. As perturbações podem ameaçar a agricultura e o suprimento de água potável, desde a África até o Oriente Médio.
“E isso gera potencial para conflitos,” explicou. A escassez de água, como por exemplo em Darfur, no Sudão, vem sendo um fator que contribui para guerras.
Mas Adeel disse que em vários casos a água já serviu para promover cooperações. A Índia e o Paquistão colaboram para gerir o rio Indo, apesar de seus conflitos de fronteira, e Vietnã, Tailândia, Laos e Camboja cooperam na Comissão do rio Mekong.
“A água é um ótimo meio para cooperações. Costuma ser uma questão desvinculada da política e com a qual é possível trabalhar”, disse Adeel, que também é diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde, sediado no Canadá e pertencente à Universidade das Nações Unidas.
As regiões que deverão ficar mais secas em função das mudanças climáticas incluem a Ásia central e o norte da África. Até o ano 2020, até 250 milhões de pessoas na África podem sofrer mais que hoje pela escassez de água, segundo o painel de especialistas climáticos da ONU.
“Há muito mais exemplos de cooperação internacional bem sucedidos que de conflitos em torno de água”, ponderou Nikhil Chandavarkar, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU e secretário da ONU-Água.
“Estamos tentando aproveitar os exemplos bons de cooperação, como o Mekong e o Indo. Mesmo quando havia hostilidades entre os países em volta, os acordos funcionaram”, acrescentou.
Adeel disse que a água merece um lugar mais central nos debates sobre segurança alimentar, paz, mudanças climáticas e recuperação da crise financeira: “A água é fundamental em cada uma dessas discussões, mas não costuma ser percebida como tal.”
E os próprios esforços para combater o aquecimento global vão necessitar mais água, devido às exigências econômicas rivais – como para irrigação, biocombustíveis ou energia hidrelétrica.
Adeel chamou a atenção para os esforços para gerenciar o suprimento de água, contabilizando quanta água é embutida nos produtos, desde a carne bovina até o café.
Um estudo, disse ele, mostrou que são necessários 15 mil litros de água para produzir uma calça jeans. Conscientizar as indústrias sobre o consumo de água pode ajudar a promover a conservação.
Ele disse que o mundo pode alcançar uma “meta do milênio” de reduzir pela metade até 2015 a parcela de pessoas que não têm acesso a água potável, mas que está fracassando em uma meta relacionada de melhorar o saneamento. Cerca de 2,8 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico.
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*Via Info.


[...] Disponível em: http://blog.eco4planet.com/2010/02/mudanca-climatica-afetara-primeiro-a-agua/ [...]
Precisamos mais do que educação para os povos, precisamos entender que sem um controle efetivo da natalidade esta Nave vai implodir.
Como carregar tanta gente num espaço tão limitado de terra? O homem avança mar-a-dentro para construir edificações, desrespeita o leito dos rios, exporta lixo tóxico (quando não o “enterra” no mar) e, por ausência de planejamento e consciência da natureza, maltrata a Mãe Terra.
Vivo num pais em que os rios, em muitas cidades, são canais de dejetos imundos e, em alguns, a vegetação nativa, desapareceu dando lugar ao assoreamento.
A matéria está excelente. Preparemo-nos para novas catástrofes…humanas!
O discurso bonito de preservação, não passa de retórica, pois precisamos é educar as pessoas para a compreensão do valor da água, e o que vemos são caminhões e mais caminhões circulando carregados de bebidas. Insisto na questão de que as empresas que exploram este comércio, exploram nossos mananciais aquíferos sem que se tenha uma política de cuidado com a água. Essas empresas enxergam e sentem que causam grandes prejuizos sociais, econômicos e ambientais, mas o sistema capitalista, não conhece o conceito “sabendo usar, não vai faltar”, por isso os políticos não tocam no assunto. A preservação e conservação da água dependem de uma política de educação ambiental séria na escola, que englobem o controle da natalidade, a educação para o consumo e a prática dos três ERRES. Isso é para ontem!!! Eu já tenho projetos à espera da boa vontade dos políticos…