07.14

Não importa o modelo do carro, é preciso mudar o sistema de mobilidade urbana/Foto: david_megginson
Sugestão de leitura complementar: Não, os carros elétricos não poluem mais.
Para responder a esta questão, temos de perceber o que está por detrás do preço e da poluição. No primeiro caso referimo-nos ao preço do KWh e no segundo às emissões de CO2 e de outros gases de efeito estufa. De modo algum uma análise de um carro elétrico se resume a estes dois parâmetros, mas são eles que vão condicionar principalmente a aceitação pelo mercado e a real mudança de paradigma.
Comecemos pelas emissões. A energia elétrica provém da queima de fontes fósseis, barragens (hídrica), energia eólica (aerogeradores), painéis fotovoltaicos e outras renováveis, mas estas são as que hoje mais implementadas estão. Na queima de combustíveis fósseis, usam-se centrais termoelétricas para se vaporizar água e com o vapor obter energia elétrica através do uso de turbinas. As barragens utilizam a diferença de altura (energia potencial) para produzirem energia elétrica movendo uma turbina, a energia eólica com o movimento das suas pás gera energia elétrica através de uma turbina igualmente e no caso dos painéis fotovoltaicos é o efeito fotovoltaico que está aqui em jogo que permite produzir uma corrente elétrica através da radiação solar (utilizando alguns materiais semicondutores). Cada tecnologia tem o seu rendimento, como veremos a seguir, e as suas emissões de CO2.
Uma central a carvão emite para cima de 1000 Kg de CO2 por MWh (um pouco menos de 1000, em muito pouco) e a gás natural menos de 500 Kg de CO2, sendo o único tipo que está abaixo de 500 Kg (uma das técnicas para reduzir as emissões em centrais de queima de combustíveis fósseis é o sequestro de carbono. No caso do carvão e para reduzir as emissões para baixo dos 500 Kg de CO2, exige-se o dobro do investimento da construção da central e, além disso, não existe nenhuma empresa a nível mundial a assegurar uma tecnologia de sequestro de carbono).
Relativamente às centrais nucleares, os 75 anos de encerramento da central é razão suficiente para financeiramente nem sequer ser considerada, para não falar dos perigos e riscos associados.
No caso do gás natural: se o veículo elétrico (VE) for uma forma de aumentar o consumo de gás natural então porque não apostar no GPL?
As renováveis sofrem hoje em dia com problemas de investimento e de infra-estrutura de rede bem como pouca aceitação por parte dos grandes players mundiais, sendo o preço a queixa. A exceção está nas barragens.
Claramente a eólica e o fotovoltaico cresceram bastante nos últimos anos, mas a preços subsidiados, o que levanta como se mostra à frente questões de preço.
Introduzamos o conceito de veículo elétrico (VE), que à semelhança do FCV (Fuel cell vehicle) é uma excelente alternativa e pode (e deve) ser tido em conta no conceito de rede inteligente (smart grid) que tanto se fala. Usamos eletricidade para movermos os veículos.
As emissões nos motores de combustão são:
- o mais baixo (tirando o novo IQ da Toyota e o Smart) é de 120 g/Km, mas a 4,5 l/100 o mais natural é que a média ande pelos 200 g/km ou próximo disso (a eco-condução ainda é um conceito pouco conhecido pelos condutores portugueses e a nível mundial).
A nível elétrico são necessários 0.2 a 0.3 KWh por km. Consideremos então as fontes de eletricidade:
- carvão 200 a 300 g por km
- gás natural: 100 a 150 g por km
- renováveis: zero
Claramente vemos que o VE, com as opções atuais, pouco poupa em emissões excetuando se estivermos com eletricidade de origem renovável (as contas no lado do FCV (hidrogênio) deram o mesmo resultado e quando se produz hidrogênio por todas as formas e feitios, o balanço final não é nada positivo).
Mudemo-nos para o preço agora. A promessa ao cliente final é de poupança econômica e ser amigo do ambiente.
Vejamos os preços das Renováveis:
- PV: 5 vezes o preço atual em nossas casas
- eólico: 2 vezes o preço atual
- hídrica: competitiva e por vezes mais barata que o convencional, mas nunca inferior à tarifa em vazio.
Sem a hídrica, as centrais convencionais estão à frente de tudo o resto e depois como se vai gerir o problema do “mais barato”? Caso não tenhamos um mecanismo verdadeiro de conscientização e de mudança de paradigma o preço ditará tudo e o VE não será melhor opção que a gasolina simplesmente pelo fato de:
- centrais termoelétricas: rendimento global de 30%
- motores de combustão: limite de 40% (Carnot)
Considerando um motor elétrico com rendimento global de 85% já com baterias no meio: 0,3 x 0.85 = 0.25 (na realidade 0.22). Temos 22%.
Um bom motor de combustão tem rendimento de 30% (atenção que falamos do rendimento introduzindo a fonte fóssil produtora do KWh necessário e não do motor apenas).
Vamos ver a nível das renováveis como funcionaria:
- fotovoltaico: rendimento de 14% -> 0.14 x 0.85 = 12% (9% a 10% será mais real)
- eólica ou hídrica: 0.6 x 0.85 = 0.51. Temos 51% (interessante)
(- a cogeração que é usada apenas para fornecer consumo de ponta tem rendimentos de 60% também, mas o objetivo será aumentar o consumo de gás natural?)
Poder-se-á falar no mix energético para justificar o erro destas contas, mas há que ter em atenção a curva de carga ou do consumo de energia elétrica e a forma como se gera essa mesma energia pode não coincidir com o mix energético. Esse fato leva a que hoje se fale na necessidade de redes inteligentes para fornecer e gerir a energia elétrica exatamente devido ao problema das renováveis serem consideradas intermitentes e não previsíveis. O que se pretende mostrar com este artigo é que procuramos não esconder o problema de fundo com outros, mas sim resolvê-lo.
Estamos em condições de fazer as contas aos preços por km:
- o KWh custa 11 centavos em nossas casas: 2,2 a 3,3 centavos por km
- na gasolina e óleo diesel a 6 l/100 temos 6 centavos para o óleo diesel (1 euro por litro) e 7.8 centavos para a gasolina (1,3 euros por litro), mas a 4,5 l/100 temos 4.5 e 5.9 centavos respectivamente.
A eletricidade para o transporte para ser a solução tem de ser originária de fontes renováveis e nunca se outras, por isso introduzamos o preço das renováveis:
- o “km elétrico” custaria entre 4.4 a 6.6 centavos ou mesmo 11 ou 16.5 centavos
Na sua utilização correta é mais caro e aqui entramos num dos problemas hereditários das renováveis: o preço. Será esta uma razão válida para não se avançar com o carro elétrico: não. A forma correta de utilização é esta e as renováveis devem ser apoiadas para se poder reduzir o custo e, ao mesmo tempo, as redes inteligentes devem avançar porque os VE podem ser as baterias que precisamos para armazenar energia elétrica não previsível, criando buffers na rede.
Assim, os carros deviam pagar pelas suas emissões: no caso dos à gasolina/óleo diesel é fácil e é apenas pagar, no VE a mesma coisa deve acontecer consoante o tipo de KWh consumido. Pensamos ser este o mecanismo regulador que falta implementar a nível global nos países ditos desenvolvidos. A origem do KWh deve ser completamente transparente para que os tarifários verdes possam ser uma realidade em Portugal como o já são noutro países e aí sim temos um mecanismo verdadeiramente limpo. No entanto atualmente as renováveis necessitam de mudanças na infra-estrutura de rede de distribuição elétrica e nada garante que consigamos fazer uma correspondência entre os consumos nos automóveis e o fornecimento de eletricidade renovável.
O Portal das Energias Renováveis (PER) não é contra o VE nem o FCV, antes pelo contrário, mas empurrar o problema para a frente não é a solução e temos de encarar os transportes elétricos e a produção de eletricidade como um todo para se perceber o cenário total e não apenas parcial. Ninguém fala em redução do uso de transportes, apenas a massificação de veículos elétricos e isso não resolverá problema alguma a nível do trânsito das cidades. Os transportes públicos continuam a ser um vetor essencial e estão a ser esquecidos.
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*Com informações retiradas de EcoDesenvolvimento.

Permita discordar.
Talvez em outros países possa ser assim como dizes aqui, mas no Brasil, as fontes de energia elétrica são hidráulicas, represas e pouco se utiliza o carvão.
Nos países onde há poucas quedas d’água se pode muito bem usar a energia eólica ou solar.
Sinto discordar.
Era isso.
Adalberto, boa tarde! Certamente no Brasil por ser fonte hídrica o carro elétrico é muito mais interessante se comparado ao uso de combustíveis fósseis (isso é dito no texto, apenas não especificamente para nosso país).
Abraços!
Vocês (Adalberto e Juan) falaram sobre energia hídrica como uma coisa boa, mas não nos esqueçamos que hidrelétricas destroem enormes partes de florestas fora os outros danos.
Sim, isso consta em outros posts aqui do blog e na página de explicação do porque usar o eco4planet, apenas quando nos referimos à emissão de gases poluentes, a energia de fonte hídrica é das mais baixas, ficando atrás de eólica, solar e outras de ainda menor expressão. Abraços!
Uma analise mal feita levando em consideração que uma busca no texto pela palavra óleo so fala de óleo diesel, e a encrenca que é o óleo que trocamos a cada 5mil, 10mil km? Sabem pra onde isso vai? E não adianta comparar isso com as baterias de chumbo pois elas sim tem como evoluir.
Para os desinformados, ultra capacitores, baterias de outros metais, celulas de hidrogenio, solar, e coisas q ainda nem inventamos. Falta apenas a produção de veiculos na escala dos atuais a combustão.
Enquanto isso o oleo é o mesmo e o problema é “ESQUECIDO” em vez de “empurado para frente”.
o carro electico consome 0.1 a 0.2 kw por km
o desportivo tescla consome 0.15 por km
mas onde foram buscar os valores descritos?
qual o carro que consome 0.3?
o carro electrico nao utiliza a poluidora e gastadora de energia a refinaria
Sergio, bem vindo.
Esta matéria é de origem portuguesa e portanto os valores são médias entre veículos daquele país. Certamente, como citado em outro comentário mais acima, a situação no Brasil difere a partir do momento em que nossa energia é, em grande parte, renovável, proveniente de hidroelétricas e não gerada a partir da queima de combustíveis fósseis como é mais comum em outros países, em especial aqueles com menor capacidade hídrica.
Abraços!
[...] dois meses quando publicamos um artigo de origem portuguesa que questionava quão verde seria a troca de veículos movidos a combustão [...]
Melhor mesmo é voltar ao tempo das cavernas, em que a luta era apenas pela sobrevivência e tínhamos uma relação muito mais próxima com a natureza e vivíamos numa cadeia alimentar natural e equilibrada.
O que acontece hoje é em função do capitalismo acelerado e a desigualdade de renda em nosso mundo.. “Desequilíbrio total da natureza e da forma de viver”….
O melhor e pegar sua bike e andar com sua própria energia
Eu moro na Grande Vitória, no Espírito Santo, Brasil. Aqui o transporte público é totalmente controlado pelo governo estadual e diga-se de péssima qualidade em função de superlotação. Há o transporte seletivo que tem o valor dobrado em relação ao transporte público comum, que pelo menos esse deveria ter acentos para todos os pagantes. Mas não é isso o que acontece. Também só trafegam superlotados. É necessário, além de honesto, dar condições dignas e coerentes para que a população se interesse em usá-lo. Assim, haveria verdadeira colaboração coletiva com o meio ambiente. Vamos, Sr. Paulo Hatung, governador do estado, dar a sua preciosa contribuição? Conheço a sua integridade e tenho certeza de que não tem profundo conhecimento do asssunto, para permití-lo assim. Que tal, ainda, incentivar realmente o uso de bicicletas? Conhecemos o seu poder de liderança!
Ai, ai.
Ainda sou a favor do desenvolvimento de microreatores a fusão nuclear para alimentar os veículos.
Absurdo?
Bem, se pensarmos dos perigos da “gasolina” (haja vista os assassinados queimados, a queda de um avião ou quando um vazamento de tanques de combustível explode o quarteirão inteiro….) não a consideramemos tão perigosa.
Contudo, felizmente alguém se pronunciou que o mercado mais uma vez está vedendo a imagem que lhes interessa ao invés do produto que nos interessa.
Mas quem pode levar uma ou uma hora e meia de bicicleta até o trabalho?
Qual trabalho oferece uma ducha para o ciclista em um centro comercial (nas fábricas do interiro isso existe)?
Onde guardar a bike nos trabalhos dos centros comerciais?
E, sem contar, que nos engarrafamentos da Linha Vermelha, Brasil e Dutra vê-se mais motociclistas com garupa do que veículos de quatro rodas com mais de um.
Att,
Sandro E.P. Marschhausen.
A bicicleta é uma boa, mas pra quem mora no Nordeste, meus caros amigos, o negócio literalmente esquentaaaaa
Também discordo de certos argumentos do artigo.
Eu também temo muito a Energia Nuclear, mas ela esta sendo bem cotada e os acidentes que ocorreram no início de sua utilização não devem ser utilizados. Muito menos argumentos referentes às usinas Angra que rende uma boa aula de geografia.
As usinas de Angra foram uma péssima compra do Brasil, eram tecnologia ultrapassada, defasada e “em estoque” (se não me engano compramos da Alemanha) o país queria se livrar daquilo e acabou vendendo para o Brasil, que não tinha experiência alguma com energia nuclear.
A energia nuclear é relativamente limpa, na verdade muito limpa se considerar que os seus detritos são controlados, o problema é que o lixo nuclear é muito perigoso e deve ser lidado com cuidado (quem sabe não podemos mandá-lo para lua através de ogivas logo?).
Quanto ao tipo de geração de energia que o Brasil utiliza, nós utilizamos muita energia hidrelétrica, é nossa maior fonte e ela não é realmente ecológica, agride o ambiente sim e é só pesquisar direito para ver. Carvão mineral não é uma fonte renovável de energia e costumava ser muito utilizado internacionalmente (estados unidos/europa), não sei exatamente como vai hoje por sua escassez, mas o carvão vegetal não é uma fonte muito utilizada.
Quanto aos postos de abastecimento de carros elétricos, seria bem interessante que fossem instalados painéis solares somente para abastecimento destes carros para garantir a eficácia ambiental destes carros.
Discordo em tudo no artigo. Antes de sair divulgando uma coisa deve-se buscar outras fontes, manter imparcialidade. Aqui se apresenta só um lado da moeda e não há a preocupação de estar passando uma idéia absurda para os leitores. Como exemplo, em um documentário (zeitgeist Addendum) dizia que em 1997 já existia um carro elétrico capaz de rodar 300km com uma única carga, e o preço total dessa carga era de 0,5 cents.
Neto, vamos com calma. Primeiro é necessário lembrar que um protótipo que apenas ‘anda’, é uma coisa; um veículo comercial com todos os requisitos legais e de mercado em segurança, desempenho e durabilidade são outra completamente diferente e são esses os que estarão a venda e andando nas ruas, e é nesses que temos de nos basear. Segundo, é preciso lembrar que esse estudo é de origem européia onde a fonte é muito mais poluidora e menos renovável que a brasileira (hídrica), o que pode mudar bastante essa situação (veja outros comentários neste post). E terceiro, você viu nosso outro artigo que mostra que carros elétricos, ‘definitivamente’, não são mais poluidores (http://blog.eco4planet.com/2009/09/nao-carros-eletricos-nao-poluem-mais-que-os-carros-atuais/)?
Abraços!
Foi inventado recentemente na Franca um veiculo que consome APENAS ar comprimido como combustivel cuja unica emissao e oxigenio PURO. No carburador o que sai e literamente mais limpo do que entra. Abastecer o veiculo e como encher o pneu de seu carro: ar comprimido – nada mais. Um cilindro de ar comprimido roda em torno de 300 Km e uma velocidade maxima de 80 km/h. Isto e um carro verde. Penso que por parte dos administradores deste site falta conhecimento ou talvez real intencao de prover informacoes verdadeiramente construtivas. Lamento, mas apensar de que supostamente estejam plantando arvores voces da Eco4planet nao se mostraram compativeis com o slogan. Deixo aqui minha ultima contribuicao.
Susan, é uma pena que na sua concepção trazer todo tipo de informação, seja de um ponto de vista ou de outro, com a intenção de contribuir para a discussão e o real conhecimento dos fatos seja errôneo. Já dissemos em outra oportunidade mas repito, o pior cego é o que não quer ver e por isso nos negamos a trazer apenas informações “bonitinhas” como um novo celular feito de milho ou uma casa que usa água de chuva para regar as plantas, queremos assuntos polêmicos e de diversos pontos de vista pois precisamos saber o que pensam todas as partes para poder discutir e defender uma posição.
Sobre os carros movidos por ar comprimido, de fato existem mas de forma muito pouco promissora, agradecemos a dica e faremos uma postagem sobre ele o mais rápido possível.
Abraços!
não tenho certeza, mas acho que já saiu uma matéria sobre eles…
Ainda sou a favor do carro movido a ar comprimido, acho que é a melhor solução.
Gente usa a bike! Economiza em academia, melhora o transito, a gente curte a paisagem, promove a simpatia, não polui, usamos nossa própria energia, faz bem à saúde e, ainda por cima é fácil de estacionar! Muitos monopólios terminariam se adotássemos a bicicleta! Pensa!
Concordo com o colega lá em cima que no nordeste seria mais difícil, mas olha aí um nixo de mercado esperando alguém criativo e inteligente pra criar alguma coisa para viabilizar o uso da bike!!!
Para encher o tanque de ar comprimido precisa de energia, é como encher um pneu.
Quanto guardar a bicicleta no escritório, já existe uma bicicleta totalmente dobravel.